No dia 24.01.2022 faleceu Olavo Luiz Pimentel de Carvalho (nascido em 29.04.1947, na cidade de  Campinas – SP) em um hospital na cidade de Richmond, Estado da Virgínia, nos Estados Unidos. O mesmo já se encontrava a dias internado devido a uma série de complicações de saúde, além de ter sido diagnosticado com COVID-19 em 15.01.2022, sendo tal infecção viral a provável causa de sua morte, apesar do médico pessoal do falecido, o dr. Ahmed Youssif El Tassa, ter negado publicamente que o COVID-19 fosse a causa do falecimento.

Assim fica a controvérsia se o filósofo faleceu pelas mãos do vírus que o mesmo tanto negava a letalidade e periculosidade (e em certos momentos chegou até a negar a própria existência do vírus) ou pelas outras causas mencionadas pelo médico particular em suas entrevistas. Mas caso se confirme que a causa do óbito foi a primeira hipótese, o que nos resta é repetir a fala do grande vilão de Star Wars, Darth Sidious: Irônico.

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Mas a par da ironia envolta no falecimento do grande fundador e inspirador da direita nacional, é importante dizer que o mesmo já havia falecido muito antes da data de 24.01.2022, pois Olavo de Carvalho, desde a chegada do presidente Jair Bolsonaro ao poder, já não era mais o mesmo de antes, já não mais aquele pensador corajoso e amante absoluto da verdade e do real, cujo um dos principais objetivos era entender as coisas como elas são e descrevê-las, com toda a honestidade e verossimilhança possível, como as entendeu. Inclusive em uma de suas entrevistas o escritor afirmou que o grande sonho de sua vida, que o mesmo desenvolveu desde a infância, era simplesmente entender as coisas como elas são.

Ao longo de sua trajetória o falecido professor, a par de todos os erros, falhas e posições político-ideológicas que podem ser questionadas por muitos, se manteve nessa posição nobre acima mencionada. Mas a partir do ano de 2019 as coisas simplesmente mudaram. O Olavo que sempre manteve uma posição de crítica construtiva em relação ao presidente Jair Bolsonaro passou à posição de um militante servil e cego do mesmo, fechando os olhos diante de todos o erros e contradições do chefe do Executivo e atacando ferozmente qualquer um que ousasse criticar o atual presidente, mesmo quando esses críticos eram amigos pessoais do mesmo e que muito o admiravam e que o ajudaram no passado, como é o caso do músico e youtuber Nando Moura (sendo este um dos principais exemplos das traições do falecido pensador contra amigos e aliados próximos, diga-se de passagem).          

Claro que por vezes o Olavo rompia com o atual presidente e criticava-o ferozmente, chegando ao ponto, inclusive, de mandar o mesmo ir tomar no órgão excretor (sendo este ocorrido o ápice da fúria do filósofo contra o presidente), mas tais rompimentos e acessos de fúria do Olavo contra o presidente eram sempre temporários, apenas lapsos efêmeros, voltando logo depois à posição de militante servil. Além da mudança drástica de postura em relação ao atual presidente, Olavo de Carvalho também adotou, talvez para agradar aquele, uma postura negacionista em relação a pandemia e passou a se opor a todas as medidas de combate ao COVID – 19 e aos imunizantes. E o sr. Olavo manteve até os seus últimos dias tal postura sem aparentar nenhum arrependimento.

Mas este Olavo de Carvalho negacionista, bolsonarista fanático, mesquinho e ingrato (pois cuspiu no rosto de grandes amigos e aliados como explicado acima) e envolvido em discussões tolas e patéticas (como a discussão do terraplanismo – sim, o falecido chegou a dizer que esta discussão era válida), é o Olavo em sua total decadência, um Olavo que morreu intelectualmente e moralmente, é um Olavo que nenhuma das pessoas que acompanharam tudo o que mesmo produziu em termos de conhecimento gostariam de ver. Este é um Olavo que os próprios autores deste artigo não gostariam de ter visto e que não vão gostar de lembrar.          

O Olavo que deve ser lembrado não é este de 2019 à 2022, mas sim o Olavo que escreveu obras como Aristóteles em Nova Perspectiva: Uma Introdução à Teoria dos Quatro Discursos, O Jardim das Aflições, O Imbecil Coletivo e tantas outras obras (o total de obras do sr. Olavo dão mais de 30 livros), o Olavo que fez vários cursos interessantíssimos como o curso da História Essencial da Filosofia, o Olavo que ministrava aulas no Curso Online de Filosofia e que chegou a totalizar mais de 400 aulas, o Olavo da época do True Outspeak (mesmo com alguns erros que o escritor cometia nesses programas de rádio). Este é o Olavo que deve ser lembrado.

Devemos lembrar do Olavo em sua época de nobreza, na época de suas grandes façanhas, pois não é qualquer pessoa que consegue mover milhões de pessoas para lutar contra um governo incompetente e falido (estou me referindo ao governo Dilma) e ainda levando cartazes escrito: Olavo tem razão! E tudo isso atrás de um computador, postando meros vídeo no Youtube e textos em redes sociais e ainda estando em outro país. Os especialistas em marketing e publicidade sonhariam em ter 10% do carisma e capacidade de persuasão e convencimento do velho da Virgínia!     

Um ponto é certo e evidente: Olavo teve uma grande história. Olavo de Carvalho moveu multidões, foi amado por muitos e odiado por muitos, debateu com grandes figuras internacionais, como o filósofo Alexander Dugin, ligado ao governo russo, foi elogiado por pensadores nacionais de peso, como o falecido jurista Miguel Reale, foi convidado para dar palestras em outras nações, como a Romênia e esses fatos são alguns poucos exemplos de todo o “currículo” de sua vida enquanto intelectual.

Este é o Olavo de Carvalho que todos devem se lembrar, mesmo com todas as suas falhas, e não o Olavo que ainda em vida já estava morto.   

Descanse em paz professor. O sr viveu uma grande história, mesmo que tenha se perdido no final. Adeus.

Texto de Matheus José Neves Silva e Pablo Daniel Mendes de Carvalho.

*O portal politizei não se responsabiliza pelo texto dessa publicação

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