Edmundo González, um ex-diplomata aposentado, avô de quatro netos e sem aspirações políticas, foi inesperadamente selecionado para desafiar o presidente Nicolás Maduro nas eleições agendadas para julho, em um esforço para pôr fim ao regime repressivo que assola a Venezuela há anos. Sua escolha pegou até mesmo sua família de surpresa, tendo que se preocupar com a segurança de sua residência para evitar escutas ilegais.
González, conhecido por sua discrição e equilíbrio, não se preparou para enfrentar uma campanha presidencial, mas o apoio da oposição e a falta de oposição do governo ajudaram a lançá-lo como candidato. Sua abordagem conciliadora e seu histórico como negociador o tornam um candidato aceitável para diversos setores da sociedade, o que pode facilitar uma eventual transição pacífica de poder caso vença as eleições.
Embora sua baixa visibilidade possa ser um obstáculo para conquistar eleitores, González é visto como uma figura capaz de unir a oposição e manter o diálogo com o governo atual para garantir uma transição suave. Sua postura conciliatória contrasta com outros candidatos mais críticos em relação aos abusos de direitos humanos e à corrupção no país.
Um levantamento recente mostrou que González já tem uma chance de derrotar Maduro, mas ainda há uma parcela significativa de eleitores indecisos. A expectativa é de que nos próximos meses ele consiga conquistar o apoio dos venezuelanos, oferecendo uma alternativa de liderança baseada na serenidade, no diálogo e nas soluções para os desafios que o país enfrenta.