O promotor do Tribunal Penal Internacional (TPI), Karim A. A. Khan KC, acusou o primeiro ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o ministro da Defesa, Yoav Gallant, de usar a fome como arma de guerra contra a população civil na Faixa de Gaza. Khan solicitou a prisão dessas lideranças israelenses e também de três líderes do grupo Hamas, com base em ações realizadas no dia 7 de outubro. Os pedidos de prisão estão sob análise dos juízes do tribunal internacional sediado em Haia, nos Países Baixos.
Segundo a investigação liderada pelo promotor, Israel privou intencional e sistematicamente a população civil em Gaza de itens essenciais à sobrevivência, por meio de um cerco total ao enclave palestino. Isso inclui o fechamento de pontos de passagem e restrições arbitrárias à entrada de alimentos e medicamentos. Também foram relatados cortes no fornecimento de água e eletricidade.
Os atos foram cometidos como parte de um plano para usar a fome como atos de guerra, visando punir coletivamente a população civil de Gaza. O TPI foi fundado para julgar crimes de guerra, genocídios e crimes contra a humanidade. Além disso, o promotor acusou Netanyahu e Gallant de outros crimes de guerra, como ataques contra civis e obstrução da prestação de ajuda humanitária.
O promotor também pediu a prisão dos líderes do Hamas Yahya Sinwar, Mohammed Diab Ibrahim Al-Masri e Ismael Haniyeh por supostos crimes cometidos no ataque do Hamas contra Israel. As denúncias foram revisadas por especialistas em direito internacional. O promotor destacou a necessidade de provar que a lei é aplicada de forma igual para todos e que intimidações contra o tribunal devem parar.
Israel classificou a decisão do promotor como ultrajante e prometeu lutar contra ela. O ministro das Relações Exteriores, Israel Kartz, considerou a ação como um ataque às vítimas e prometeu mobilizar esforços para se opor aos mandados de prisão emitidos. O promotor pediu aos governos que declarem que não pretendem aplicar os mandados emitidos contra os líderes israelenses.