A formação de uma comissão externa da Câmara dos Deputados para investigar a crise humanitária na Terra Yanomami causou revolta entre os indígenas. De acordo com um comunicado de repúdio divulgado no início desta semana por diversas entidades que representam os povos da região, os deputados originalmente designados são contra a demarcação de terras e defendem pautas que atacam os direitos das populações indígenas. Diante da mobilização, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP), decidiu incluir Célia Xakriabá (PSOL) como membro da comissão.
Com essa nova nomeação, a comissão contará com 16 integrantes. “Fui a primeira parlamentar a visitar o território em 2023 para acompanhar a gravíssima crise, causada pelo aumento de 54% do garimpo ilegal e pelo genocídio incentivado pelo governo [Jair] Bolsonaro. Seria, no mínimo, ilógico que eu não fizesse parte da comissão”, afirmou Célia Xacriabá nas redes sociais.
Essa comissão externa foi criada por meio de um ato da presidência da Câmara dos Deputados, assinado por Lira em 13 de maio. O documento é conciso e menciona apenas que o objetivo é acompanhar as autoridades competentes na investigação e apuração da crise humanitária dos Yanomami.
