Eyal Ben-Ari saiu de casa ao amanhecer, carregando seu rifle de assalto pesado, sem querer acordar sua esposa ou seus seis filhos. Ele caminhava até a sinagoga em Safed, uma cidade montanhosa acima do Mar da Galiléia conhecida como centro de Cabala, a mística judaica antiga. Mesmo não se sentindo confortável com a arma, Ben-Ari sentia a necessidade de proteção devido à sensação de vulnerabilidade em Israel.
Em Safed, assim como em outras partes de Israel, o medo de ataques como o ocorrido em outubro se tornou mais presente. Isso levou a um aumento significativo de cidadãos se armando para se proteger. Com a formação de milícias civis e a distribuição massiva de licenças para possuir armas de fogo, a população se sente mais segura.
No entanto, o aumento no número de armas também gerou preocupações em relação ao potencial de conflitos internos. Com a rápida distribuição de licenças, grupos árabes em comunidades próximas às fronteiras não tiveram a mesma liberdade para formar grupos armados voluntários, levantando questões de disparidade e discriminação.
Para muitos árabes israelenses, a campanha de armamento liderada por Ben-Gvir representa uma ameaça, vista como uma ferramenta de intimidação política. Enquanto alguns argumentam que as armas são necessárias para a defesa nacional, outros questionam a promoção de violência e as tensões internas que podem surgir.
Safed, antes conhecida como um refúgio para os religiosos e espirituais, agora vive sob um clima de cerco e medo, refletindo a tensão e a incerteza em toda a região de Israel. Enquanto alguns se preparam para o pior, outros buscam promover a paz e a compreensão em meio ao conflito. A cidade está dividida entre a necessidade de se armar e a busca por uma mudança mais profunda e pacífica.