A Síria começa o diálogo nacional, mas sem milícias lideradas por curdos

A Síria começa o diálogo nacional, mas sem milícias lideradas por curdos

O governo interino da Síria está reunindo pessoas das muitas religiões e seitas do país para um diálogo nacional de dois dias que começou na segunda-feira.

Ahmed Al-Shara, presidente interino do país, cuja coalizão rebelde assumiu o controle da Síria no início de dezembro, prometeu realizar um diálogo nacional para discutir a formação de um governo representativo.

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Seu governo estabeleceu um prazo para iniciar o processo. Os convites para o evento foram enviados no domingo, 23 de fevereiro, para centenas de participantes, incluindo líderes comunitários, acadêmicos e líderes religiosos, apenas um dia antes do início da conferência.

Também foram convidados jornalistas, empresários, ativistas, ex-detidos do governo de Assad e as famílias de pessoas que foram mortas ou feridas na brutal guerra civil de 13 anos da Síria.

Al-Shara falou da necessidade de unir muitas populações agitadas da Síria para construir uma nova Síria. A Síria é um país majoritário muçulmano sunita, mas tem muitas minorias religiosas e étnicas, incluindo alawitas, druse, cristãos e curdos.

Mas as tentativas de unidade já enfrentaram desafios.

Alguns curdos, que compõem cerca de 10 % da população da Síria, foram convidados para o diálogo. Mas as forças democráticas sírias lideradas pelo curdo, uma milícia apoiada pelos EUA que controla grande parte do nordeste da Síria, não era. O governo interino da Síria exigiu que a milícia desarma e inarmasse uma força militar nacional unificada, como uma condição de ingressar no diálogo.

O comitê organizando a conferência disse anteriormente que o SDF não representa todos os curdos sírios.

A Turquia, um aliado próximo do grupo rebelde que liderou a derrubada do ditador sírio Bashar al-Assad, há anos procurou conter o poder das forças democráticas sírias, mantendo que a milícia está ligada a insurgentes separatistas curdos dentro da Turquia.

Muitos sírios são céticos sobre o que um diálogo nacional pode trazer, especialmente em um país profundamente dividido, onde as tensões sectárias estão se espalhando por assassinatos de vingança.

Os sírios também têm cuidado com as promessas de inclusão provenientes de um governo liderado por Hayat Tahrir al-Sham, um grupo islâmico que deu a cargos de governo e ministerial a seus próprios leais. Ainda não incluiu no governo outros grupos rebeldes que ajudaram a expulsar Assad.

Os organizadores da conferência disseram que não há vínculo direto entre a formação do novo governo sírio e a conferência de diálogo, embora estejam acontecendo ao mesmo tempo.

Os participantes da conferência emitirão recomendações para o novo governo, bem como para a redação de uma nova constituição e leis. Mas essas recomendações parecem não ser vinculativas.

“As recomendações do diálogo nacional não serão meras conselhos e formalidades, mas serão a base para a declaração constitucional provisória, identidade econômica e plano de reforma institucional”, disse Hassan Al-Dughaim, porta-voz do comitê.

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