Réu já condenado por homicídio recebe mais 29 anos por feminicídio de ex-namorada em Manaus

Francisco Farias da Silva acumula mais de 51 anos em condenações após júri na segunda-feira (17)

Francisco Farias da Silva foi condenado a 29 anos e 9 meses de reclusão pelo feminicídio de Doralice Castro Botelho, de 18 anos, cometido em fevereiro de 2016 no bairro Colônia Terra Nova, zona Norte de Manaus. O julgamento pela 2.ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Manaus foi realizado na segunda-feira (17/08/2026) — dez anos após o crime.

O réu já cumpria pena de 21 anos e 9 meses de reclusão em regime fechado por outro homicídio qualificado. Com a nova sentença, a juíza Danielle Monteiro Fernandes Augusto determinou o cumprimento provisório imediato da nova condenação.

O que aconteceu agora

O julgamento foi presidido pela juíza Danielle Monteiro Fernandes Augusto no Fórum Ministro Henoch Reis. O Ministério Público do Amazonas foi representado pelo promotor Thiago de Mello Roberto Freire. A Defensoria Pública assistiu o réu.

Francisco estava preso e foi apresentado para interrogatório durante a sessão. Ele declarou lembrar-se das agressões contra a ex-namorada, mas alegou não se recordar dos golpes de faca desferidos contra a vítima, segundo o TJAM.

A 2.ª Vara do Tribunal do Júri votou pela condenação. A magistrada fixou a pena em 29 anos e 9 meses de reclusão e determinou o início imediato do cumprimento provisório da nova sentença.

O processo tramitou sob o número 0732880-18.2020.8.04.0001 e foi pautado para julgamento como parte da 33.ª Semana da Justiça pela Paz em Casa — período de esforço concentrado voltado ao julgamento de processos relacionados à Lei Maria da Penha e a ações penais no Tribunal do Júri envolvendo crimes dolosos contra a vida praticados no contexto da violência doméstica.

O que veio antes

O crime ocorreu em 14 de fevereiro de 2016, por volta das 15h, na Rua Retirante, no bairro Colônia Terra Nova. Segundo a denúncia formulada pelo Ministério Público, Francisco avistou a ex-namorada caminhando com o novo companheiro e não aceitava o fim do relacionamento.

O réu efetuou disparos de arma de fogo em via pública para intimidar o casal. Sob grave ameaça, rendeu Doralice e a conduziu até sua residência. Lá, ela foi submetida a agressões físicas, esfaqueada reiteradamente e asfixiada pelo agressor.

Mesmo gravemente ferida, Doralice conseguiu pedir socorro aos vizinhos. Foi atendida na rede pública de saúde, mas faleceu dois dias depois do ataque. Tinha 18 anos.

À época do feminicídio, Francisco Farias da Silva também respondia — ou já havia sido condenado — pelo outro homicídio qualificado, processo pelo qual cumpria pena de 21 anos e 9 meses, dos quais havia cumprido 4 anos e 9 meses até a nova sentença, segundo o TJAM.

O peso das condenações acumuladas

Com as duas sentenças, Francisco Farias da Silva soma mais de 51 anos em condenações. A nova pena de 29 anos e 9 meses se adiciona aos 17 anos restantes da condenação anterior — os 21 anos e 9 meses, descontados os 4 anos e 9 meses já cumpridos.

A juíza Danielle Monteiro Fernandes Augusto determinou o cumprimento provisório imediato da nova condenação. O TJAM não detalhou, no comunicado, como as duas penas serão unificadas ou cumpridas de forma sequencial.

A Semana da Paz em Casa como mecanismo de desgargalamento

O julgamento de Francisco integrou a 33.ª Semana da Justiça pela Paz em Casa, iniciativa que mobiliza varas e tribunais do júri para acelerar o julgamento de processos vinculados à violência doméstica e familiar contra a mulher.

O caso de Doralice ilustra o intervalo que pode separar o crime do julgamento: o feminicídio aconteceu em fevereiro de 2016; o júri ocorreu em agosto de 2026. Uma década.

O TJAM não informou, no comunicado publicado em 18 de agosto de 2026, quantos processos foram julgados ou ainda aguardam pauta no âmbito desta edição da semana concentrada no Amazonas.

Doralice Castro Botelho morreu em fevereiro de 2016. Tinha 18 anos e foi morta por um homem que não aceitava que ela havia seguido em frente.

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