O câncer mais comum entre mulheres amazonenses em 2026 pode ser prevenido — e há um projeto em andamento para isso
O deputado Fausto Jr. (União-AM) apresentou o Projeto de Lei 969/26, que torna obrigatória a vacina contra HPV no calendário nacional e substitui o Papanicolau por testes moleculares como método principal de rastreamento no SUS. A proposta responde diretamente à realidade do Amazonas: a estimativa é que o câncer de colo do útero seja o tipo de câncer mais frequente entre mulheres no estado em 2026, segundo a justificativa do projeto.
A infecção pelo vírus HPV é a causa de 99% dos casos de câncer do colo do útero, conforme registrado no texto do PL 969/26.
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Quem pode participar
O projeto beneficia todas as mulheres brasileiras com acesso ao SUS, mas prevê atenção prioritária a grupos com maior dificuldade de acesso à saúde:
– Mulheres e adolescentes em áreas rurais
– Mulheres e adolescentes em comunidades ribeirinhas
– Mulheres e adolescentes indígenas
O texto também determina que o governo federal dê preferência a regiões com taxas de mortalidade por câncer de colo do útero acima da média nacional. A Região Norte, incluindo o Amazonas, é citada explicitamente na justificativa do deputado como área de alta incidência.
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O que muda, na prática
Hoje, o exame mais comum oferecido pelo SUS para rastrear o câncer de colo do útero é o Papanicolau. Se o projeto for aprovado, o SUS passará a usar testes moleculares como método principal — tecnologias descritas no projeto como “mais sensíveis e precisas” para detectar a doença.
A vacinação contra HPV, atualmente parte do calendário do SUS mas não obrigatória por lei, passaria a ter caráter compulsório no calendário nacional de imunização.
Para mulheres em comunidades de difícil acesso — realidade comum no interior do Amazonas —, o projeto prevê o uso de unidades móveis de vacinação em áreas rurais, ribeirinhas e indígenas. Essa medida reconhece uma barreira histórica enfrentada por populações amazônicas: a distância das unidades fixas de saúde.
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Por que isso importa
“Buscamos a modernização do rastreamento e a ampliação da cobertura vacinal para garantir economia futura ao SUS e o cumprimento de metas de saúde pública”, afirmou o deputado Fausto Jr.
O projeto altera diretamente a lei que garante a todas as mulheres brasileiras o acesso ao diagnóstico e tratamento dos cânceres do colo uterino e de mama no SUS.
A proposta parte de um dado que o deputado usa como argumento central: os altos índices de câncer de colo do útero na Região Norte, com o Amazonas projetado como o estado onde essa doença é a mais frequente entre mulheres em 2026. O texto não detalha a fonte epidemiológica específica dessa estimativa, nem apresenta comparação com a média nacional.
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O que ainda não sabemos — e por que importa saber
A fonte consultada para esta reportagem — a Agência Câmara dos Deputados — não detalha alguns dados fundamentais para avaliar o impacto real do projeto no Amazonas:
A cobertura vacinal atual no estado não foi informada. Não há, no texto do projeto ou na nota da Agência Câmara, dados sobre quantas adolescentes amazonenses já foram imunizadas contra HPV nem quais municípios estão abaixo da meta do Ministério da Saúde.
A infraestrutura do SUS-AM para testes moleculares também não foi avaliada na fonte. O projeto determina a priorização dessa tecnologia, mas não especifica se o sistema de saúde do Amazonas já tem capacidade instalada para oferecer esse tipo de exame em escala — especialmente no interior.
A Secretaria Estadual de Saúde do Amazonas (SES-AM) não foi citada na fonte como consultada sobre o projeto. Não há posição oficial do estado registrada.
Os dados municipais de mortalidade — informação necessária para identificar quais regiões seriam prioritárias segundo os critérios do próprio projeto — não estão detalhados na fonte. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) e a SES-AM são fontes potenciais para esse levantamento, mas não foram citados no material disponível.
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Prazos
O PL 969/26 tramita na Câmara dos Deputados e ainda não tem data definida para votação. Antes de seguir ao Senado, o projeto precisa ser aprovado, em caráter conclusivo, por três comissões:
1. Comissão de Saúde
2. Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher
3. Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ)
Não há prazo estabelecido na fonte para a conclusão dessa tramitação.
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O que o cidadão precisa saber agora
Enquanto o projeto tramita, a vacinação contra HPV já está disponível no SUS para meninas e meninos dentro das faixas etárias do calendário atual. O Papanicolau também segue disponível nas unidades de saúde.
A proposta do deputado Fausto Jr. não altera a legislação até ser aprovada pelas três comissões na Câmara, votada no plenário e aprovada pelo Senado. Nenhuma das etapas tem data prevista.
Para mulheres que vivem em comunidades rurais, ribeirinhas ou indígenas no Amazonas, a recomendação de buscar atendimento nas unidades de saúde disponíveis ou nas equipes de saúde fluvial permanece válida independentemente do andamento legislativo.
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O câncer de colo do útero é uma das doenças com maior potencial de prevenção e detecção precoce quando há acesso a vacinas e exames — mas é também uma das que mais mata onde esse acesso é precário. O Amazonas reúne as duas condições ao mesmo tempo.


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