O condenado criou um perfil falso para atrair a mulher até o local onde a matou
O Tribunal do Júri da Comarca de Urucurituba condenou, na terça-feira (18/08), um homem a 12 anos, 5 meses e 25 dias de reclusão pelo feminicídio de uma mulher com quem manteve relacionamento por cerca de 20 anos. O crime ocorreu em fevereiro de 2023 e foi reconhecido pela Justiça como premeditado, com motivo torpe e praticado em contexto de violência doméstica e familiar.
A pena foi fixada pela juíza Renata Tavares Afonso Fonseca Costa em regime inicialmente fechado. A decisão determinou também a execução imediata da sentença.
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O que aconteceu agora
Com base em denúncia apresentada pelo Ministério Público do Amazonas (MPAM), os jurados rejeitaram a tese de absolvição da defesa e reconheceram a responsabilidade penal do acusado.
A condenação reconheceu três qualificadoras: motivo torpe, prática em contexto de violência doméstica e familiar, e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima. A execução imediata da pena foi determinada junto à sentença.
Segundo a denúncia do MPAM, o condenado criou um perfil falso em uma rede social para se aproximar da vítima e marcar um encontro. A estratégia foi usada para atraí-la até a Estrada do Piranha, na zona rural de Urucurituba. No local, o acusado desferiu três golpes de faca contra a mulher, atingindo as regiões cervical e supraesternal direita. A causa da morte foi choque hipovolêmico.
A promotora de Justiça Maria Cynara Rodrigues Cavalcante afirmou que o caso “ilustra um padrão que infelizmente se repete: o feminicídio raramente é um ato impulsivo.”
“A vítima e o culpado mantiveram um relacionamento de cerca de 20 anos, marcado por episódios de violência doméstica, porém, por medo, a mulher nunca havia registrado boletim de ocorrência. Há muito tempo, o vínculo afetivo já havia se encerrado, mas, para proteger as filhas, a vítima se manteve naquela relação abusiva”, declarou Cavalcante.
A promotora acrescentou um detalhe colhido junto à família da vítima: enquanto o homem planejava o crime, ela organizava uma festa surpresa de aniversário para ele — que completaria anos uma semana depois do feminicídio.
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O que veio antes
O feminicídio ocorreu em fevereiro de 2023 na zona rural de Urucurituba, município do interior do Amazonas. A investigação do MPAM reconstruiu o planejamento do crime e identificou o uso do perfil falso em rede social como mecanismo central para aproximar a vítima do agressor sem despertar desconfiança. O caso tramitou por mais de três anos até chegar ao Tribunal do Júri.
O relacionamento entre vítima e condenado durou aproximadamente duas décadas. Durante esse período, segundo a denúncia do MPAM, episódios de violência doméstica marcaram a convivência — mas nenhum resultou em boletim de ocorrência. A ausência de registros anteriores é apontada pela promotora como parte do padrão que sustenta esse tipo de crime: a vítima permanece invisível para o sistema de proteção até que seja tarde demais.
A acusação sustentou que a vítima mantinha o vínculo não por afeto, mas para proteger as filhas do casal — dado que a promotora destacou na sustentação oral e que integrou o retrato do relacionamento apresentado ao júri.
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Por que este caso importa
O feminicídio de Urucurituba expõe uma combinação de fatores que, segundo a promotora Maria Cynara Cavalcante, se repete em casos similares: longa história de violência doméstica sem registros formais, rompimento afetivo unilateral não aceito pelo agressor e planejamento deliberado do crime.
O uso de um perfil falso em rede social como ferramenta de aproximação é o elemento que diferencia este caso na forma de execução — mas não no padrão. A tecnologia foi empregada para contornar a desconfiança que a vítima poderia ter desenvolvido após anos de abuso. O agressor não agiu por impulso: criou uma identidade fictícia, estabeleceu contato, marcou um encontro e conduziu a mulher a um local isolado na zona rural.
A Justiça reconheceu esse planejamento ao confirmar as qualificadoras. A pena de 12 anos, 5 meses e 25 dias deve ser cumprida em regime fechado desde o início, e a execução imediata foi determinada pela juíza Renata Tavares Afonso Fonseca Costa ao encerrar o julgamento.
O caso tramitou por mais de três anos entre o crime, em fevereiro de 2023, e a condenação, em agosto de 2026. Durante esse intervalo, as filhas da vítima — mencionadas pela promotora como razão pela qual ela permanecia no relacionamento — viveram sem que a sentença fosse proferida.
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O que ainda não se sabe
A fonte consultada não esclarece se o condenado permaneceu preso entre o crime, em fevereiro de 2023, e o julgamento, ocorrido em agosto de 2026, ou se respondeu ao processo em liberdade até a condenação.
Também não há informação disponível sobre quantos casos de feminicídio foram julgados pelo Tribunal do Júri do Amazonas em 2025 e 2026, nem sobre o índice de condenações nesses julgamentos.
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A promotora Maria Cynara Rodrigues Cavalcante encerrou sua manifestação com um dado que resume a dimensão do que o processo revelou: a vítima, nos dias que antecederam sua morte, planejava uma festa surpresa para o homem que, ao mesmo tempo, organizava o crime que a mataria.


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