Fumaça de queimadas deixa ar de Manaus em nível ‘muito ruim’; veja o que fazer

O ar de Manaus está classificado como “muito ruim” nesta quarta-feira (9). Reduza a exposição ao ar livre, evite atividades físicas intensas do lado de fora e mantenha-se hidratado — são as orientações da Defesa Civil Municipal para quem vive na cidade.

A Secretaria Executiva de Proteção e Defesa Civil Municipal (Sepdec) registrou concentração de partículas finas (MP2,5) de 87,6 microgramas por metro cúbico (µg/m³), índice que coloca a qualidade do ar da capital na faixa “muito ruim”, segundo monitoramento realizado pela equipe técnica da pasta.

De onde vem a fumaça

A fumaça não tem origem em Manaus. Ela vem de queimadas no sul do Amazonas, no norte de Mato Grosso e em Rondônia, e está sendo carregada até a capital pela circulação dos ventos em baixos níveis da atmosfera.

A mudança no padrão dos ventos é consequência do avanço de uma frente fria pelo centro-sul do país, que alterou temporariamente a direção das correntes de ar e favoreceu o transporte da fumaça em direção a Manaus.

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) indica que Manaus está entre as cidades com menor número de focos de incêndio no Amazonas. O problema, neste caso, é externo à cidade.

O que você deve fazer agora

A Defesa Civil Municipal recomenda três medidas diretas para a população:

Reduza a exposição prolongada à fumaça. Fique em ambientes fechados sempre que possível, especialmente nos períodos de maior concentração de poluentes ao longo do dia.
Evite atividades físicas intensas ao ar livre. Exercícios aumentam o volume de ar inalado — e, junto com ele, a quantidade de partículas finas que entram nos pulmões.
Mantenha-se hidratado. A orientação é parte das recomendações oficiais da Defesa Civil para períodos de fumaça intensa.

A Defesa Civil segue monitorando as condições meteorológicas e a qualidade do ar ao longo do dia. As informações serão atualizadas sempre que houver mudança significativa no cenário, segundo a prefeitura.

Acompanhe pelos canais oficiais

A Prefeitura de Manaus orienta a população a acompanhar as atualizações pelos canais oficiais de comunicação. Em caso de ocorrência relacionada a situações de risco, o número da Defesa Civil é o 199.

Se você vir uma queimada, denuncie

Mesmo com a fumaça vindo de fora, a Prefeitura mantém ações de fiscalização dentro do município por meio do Comitê de Prevenção às Queimadas.

Para denunciar focos de incêndio em Manaus, a população tem dois caminhos:

Telefone 153 — Guarda Municipal, disponível 24 horas
slim.manaus.am.gov.br — canal eletrônico para formalizar a denúncia

A orientação da prefeitura é registrar, sempre que possível, imagens da ocorrência, o horário e o endereço completo antes de acionar os canais de denúncia.

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Mudança do Clima (Semmas) realiza campanha educativa a partir do segundo semestre, além de ações de fiscalização com uso de drones. A Guarda Municipal está disponível para atendimento de denúncias em tempo integral.

Por que 87,6 µg/m³ é um número grave

Partículas finas (MP2,5) têm diâmetro inferior a 2,5 micrômetros — pequenas o suficiente para penetrar fundo nos pulmões e cair na corrente sanguínea. A concentração registrada nesta manhã em Manaus, de 87,6 µg/m³, ultrapassa com folga o limite de 25 µg/m³ estabelecido pela Organização Mundial da Saúde como meta de qualidade do ar para média de 24 horas.

A classificação “muito ruim” sinaliza risco à saúde não apenas para grupos sensíveis, mas para qualquer pessoa exposta por tempo prolongado.

Quem deve redobrar a atenção

A fonte oficial não detalha grupos específicos de vulnerabilidade nas recomendações divulgadas nesta data. Mas a categoria “muito ruim” — a segunda pior na escala de qualidade do ar — indica que a exposição prolongada representa risco para toda a população, não apenas para quem já tem condições respiratórias preexistentes.

Se você sentir sintomas como dificuldade para respirar, tosse persistente, irritação nos olhos ou na garganta, procure uma unidade de saúde.

O Amazonas enfrenta todos os anos uma temporada de queimadas que se estende pelos meses de agosto e setembro, período em que a combinação de seca intensa e ventos secos favorece a propagação do fogo. Desta vez, a fumaça produzida fora do estado cruzou fronteiras estaduais antes de chegar à capital — um padrão que se repete em anos de estiagem mais severa na região central do país.

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