No último dia 2 de novembro, o Irã assumiu a liderança no Fórum Social do Conselho de Direitos Humanos da ONU, gerando inquietações devido ao seu histórico notório de violações dos direitos humanos, especialmente contra mulheres. O regime iraniano, conhecido por perseguir minorias religiosas e restringir os direitos dos homossexuais, assume um papel de destaque enquanto enfrenta críticas por suas práticas internas.
Antes do início do mandato iraniano, em 28 de outubro, uma tragédia ilustrou as preocupações. Armita Garawand, de 19 anos, faleceu após ser espancada pela polícia de moralidade iraniana por não usar o véu corretamente. Garawand fazia parte do movimento pela liberdade feminina, iniciado em setembro de 2022, em resposta à morte de Mahsa Amini, também vítima da repressão por não cobrir os cabelos em público.
Surpreendentemente, as críticas às violações dos direitos humanos não impediram o Irã de assumir uma posição crucial no Conselho de Direitos Humanos da ONU. Em agosto, o presidente de Israel, Isaac Herzog, buscou discutir o assunto com o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, sem alcançar resultados significativos. Esse evento levanta questões sobre um possível viés anti-Israel nas Nações Unidas.
Um levantamento da ONG UN Watch revela que, de 2015 até agora, a Assembleia Geral aprovou aproximadamente 141 resoluções desfavoráveis a Israel, em comparação com apenas 7 contra o Irã, 8 contra a Coreia do Norte e 10 contra a Síria. Essa disparidade tornou-se ainda mais evidente após os ataques do Hamas a Israel em 7 de outubro.
Mesmo com o Hamas provocando a morte de cerca de 1.400 pessoas em Israel e sequestrando mais de 230, a Assembleia Geral da ONU adotou, em 27 de outubro, uma resolução condenando a ofensiva israelense na Faixa de Gaza sem mencionar o grupo terrorista. O Conselho de Segurança da ONU também se abstém de reconhecer o Hamas como organização terrorista, apesar de seus objetivos genocidas.
Essa disparidade é resultado da possibilidade de qualquer Estado membro propor temas para discussão na Assembleia Geral e outros fóruns da ONU. Isso permite que países com histórico de violações dos direitos humanos busquem aprovar resoluções contra Israel para desviar a atenção de suas próprias violações.
Recentemente, o viés anti-Israel também foi observado entre funcionários da ONU. Em 24 de outubro, durante uma sessão do Conselho de Segurança, Antonio Guterres afirmou que os ataques terroristas de 7 de outubro precisavam ser considerados dentro do contexto do conflito israelo-palestino. Essa declaração foi considerada ofensiva por líderes judaicos e israelenses, que a interpretaram como uma minimização dos eventos. O Yad Vashem, o museu do Holocausto de Jerusalém, também criticou Guterres por não condenar adequadamente os ataques.
É lamentável que, apesar de um dos propósitos fundamentais da ONU ser a manutenção da paz e a prevenção de eventos como o Holocausto, os fóruns multilaterais na instituição pareçam contribuir para mais hostilidades contra os judeus. O exemplo mais recente é a presidência do Irã no Fórum Social do Conselho de Direitos Humanos.
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